segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Do Vestibular às Faculdades!

Bom, o negócio é o seguinte, algumas pessoas merecem atenção redobrada: há cerca de um ano recebi um e-mail com várias perguntas, entretanto, devido à correria da Faculdade e de não conseguir dar conta de toda caixa de e-mail, acabei não respondendo.
Entretanto, gostaria de agradecer ao Ferdinando R. de Siqueira por ter enviado essas perguntas e espero que por meio do blog, mais pessoas se beneficiem das respostas!
Gostaria de lembrar, entretanto, que essas respostas são um tanto quanto pessoais, e não compõem um guia de “como passar no vestibular”. As sugestões são meramente ilustrativas, cada pessoa é que deve filtrar o que é bom e o que não é. Favor desconsiderar o que não for bom...
Gostaria ainda de convidar a todos a conhecer um pouco da experiência de pesquisa que a USP, assim como várias outras boas universidades, possibilitará para você no futuro próximo. Espero que sirva como mais uma motivação para ralar para entrar na Universidade:
Grande abraço,
Lucas Nóbrega
Boston, Massachusetts, 13 de Fevereiro de 2011.


Aqui vão as perguntas:
Você fez dois anos de cursinho, poderia dizer o que influenciou para que não conseguisse passar no primeiro? Um ano apenas é pouco para um preparo adequado (USP)? Isto é relativo? Conhece alguém que conseguiu entrar em Med com apenas um ano? Esse alguém é anormal ou foi apenas uma dedicação TOTAL?
Bom, na realidade entrei com um ano de cursinho. Ao finalizar o terceiro, passei apenas em medicina na Santa Casa, mas devido ao sonho de entrar na USP, acabei optando por um ano de cursinho. Após seis meses de cursinho prestei Universidade Federal de Ouro Preto, como um treino de meio de ano e felizmente passei! Então, no final do ano, vieram as aprovações na USP e nos outros vestibulares do estado de São Paulo.
Portanto, fiz um ano de cursinho sendo que esse período foi de dedicação intensa: foco foi fundamental!
Como foram seus resultados após o primeiro ano de cursinho?
Após um ano de cursinho tive a felicidade de entrar em seis universidades públicas de medicina (USP, UNICAMP, UNESP, UNIFESP, UFSCar, UFOP), mas a maior felicidade foi a de atingir o objetivo: entrar na USP São Paulo!
Quanto tempo além das aulas você estudava? Conseguia ficar sem acumular matéria? Treinava redação?
Cerca de seis a oito horas por dia (mas isso nos dias em que não havia aulas durante a tarde: minhas aulas eram durante a manhã). Mas muita gente entra na faculdade estudando muito pouco ou apenas indo às aulas, depende muito do perfil de cada um.
Mas mais do que as horas, um item muito mais importante é a qualidade do estudo! Demorava um pouco para entender as coisas, por isso ficava várias horas treinando a resolução de exercícios e além disso, queria tentar “garantir minha vaga”.
Estudava em um ritmo intenso, mas isso por que estava muito focado (queria entrar entre os dez primeiros). Olhando para trás, vejo que fiz isso apenas por realmente estar louco para entrar e por pensar nisso todos os dias.
Quanto a acumular matéria, acumulei muita matéria em termos de ler textos, mas em termos de resolver exercícios, acumulei muito pouco. Focava muito mais na resolução de exercícios e no treino! Por isso, não me importava com os textos, a não ser que estivesse errando nos exercícios!
Focar nos exercícios talvez seja a coisa mais simples a fazer, mas é extremamente eficaz! Funciona!
Redação: toda semana fazia redação, sendo que nas férias e em alguns feriados, fazia duas redações por semana. Achava que português era fundamental. Continuo achando!
Li em um dos seus post que você fazia mais exercícios ao invés de se jogar em pilas de textos, acha que isso colaborou significativamente para sua conquista?
Sim. Foi exatamente isso que fez a diferença no meu caso.
Nos dois anos de cursinho sempre manteve o mesmo ritmo?
Fiz um ano de cursinho e durante todo o ano mantive um ritmo forte. O ritmo do início é muito importante ser forte, pois você está motivado! O segredo é se concentrar para continuar com esse ritmo do começo por todo o ano! Isso é que é muito, muito, muito difícil! Mas é possível! O segredo está em ter foco, acordar todo dia e pensar: “vou pegar minha vaga”.
Leu os livros obrigatórios? Achou que lê-los foi realmente importante? Um resumo lúcido sobre a obra junto de uma interpretação com cunho literário seria equivalente? (Antes que pense horrores de minha pessoa, já li os da FUVEST; porém tenho outras federais em mente e o número de livros está bem gordo. )
Resolvi exercícios e sabia sobre todos os livros obrigatórios. Mas ler mesmo, li apenas parte dos livros obrigatórios. Para passar você precisa saber resolver os exercícios sobre os livros, você não precisa necessariamente ler os livros, mas precisa saber os exercícios! Para a vida vale a pena ler os livros obrigatórios, mas para o vestibular de medicina, o vestibulando deve tomar muito cuidado, talvez perca o foco no treino! Li apenas alguns, aqueles que achava que dava para relaxar. Mas não precisaria ter lido nenhum: o importante são os resultados: acertar os exercícios sobre os livros!
Como você qualificaria seu ensino antes de iniciar o cursinho? Seu inglês era forte?

Sempre participei de cursos de ciência, Olimpíadas de conhecimento (Astronomia, Física, Química) desde o fundamental, pois adorava ciência e meu avô Octávio e meus pais sempre disseram que: “O que você tem na sua cabeça, ninguém lhe tira”. No entanto, as Olimpíadas de conhecimento cobram coisas totalmente diferentes do vestibular: cobram muito mais raciocínio e pensamento diferenciado do que conhecimento segmentado, por isso, para aqueles que gostam dessas olimpíadas e querem o vestibular, lembrem-se que a abordagem do vestibular é um pouco diferente. Estudar as provas dos vestibulares anteriores é o caminho mais curto para a universidade!
Quanto ao inglês: não tinha dificuldades com a língua por ter feito curso de inglês. Isso foi uma facilidade a mais, pois esse era um ponto que já tinha garantido.
Como era seus resultados nos simulados?
Bom, vim de um cursinho bem pequeno e apesar de ter algum grau de destaque entre os alunos acredito que a melhor métrica sejam os vestibulares de meio de ano (muita gente presta, e normalmente é o mesmo nível de pessoal que no final do ano), tive a felicidade de ficar em 6 lugar em Medicina em Ouro Preto (Universidade Federal) mas de não passar na UFTM (fiquei em 67, havia 40 vagas e só chamaram até 24 da lista de espera), mas nenhuma das duas universidades significavam algo realmente importante para mim, afinal, meu sonho era apenas um: estar entre os dez primeiros da USP São Paulo.
Qual foi a maior dificuldade que encontrou quando iniciou o cursinho? Uma matéria mais complicada, horário, responsabilidades?
Só encontrei facilidades: minha família ajudou muito (minha mãe fazia comida para mim todos os dias) e morava a alguns quarteirões da escola! Fui muito sortudo nesse aspecto! E isso fez diferença!
Os maiores desafios que encontrei, na verdade, não foram no estudo, mas foram no trabalho: meus pais têm uma floricultura chamada “Amor e Flor” e lá tive a experiência de trabalhar de verdade, nada a ver com o trabalho da medicina ou o trabalho no hospital, trabalho de verdade... Ajudei na loja, junto com meu irmão, desde que éramos pequenos. Isso é o que é trabalhar, meus pais sabem o que é, acho que isso é algo que meus professores da faculdade talvez ainda tenham que aprender...
Como você descobriu que queria fazer Med?
Queria ser físico na realidade, pois adorava (ainda adoro) as aulas de um professor do Instituto de Física de São Carlos - USP, o Prof. Vanderlei Bagnato! Fantásticas as aulas dele! Mas então, fui fazer um curso de uma semana (das 8h da manhã às 22h da noite) no IFSC-USP durante as férias do primeiro ano do Ensino Médio, a Escola Avançada de Física, que também é oferecida pelo ITA em um formato semelhante. Foi nessa escola avançada de férias que descobri que gostava de gente e que queria alguma coisa que envolvesse conhecimento, liderança e gente, descobri que talvez Física não fosse a minha área.
Pensei em Medicina, conversei com meus pais e eles pediram para que um amigo médico me levasse para uma cirurgia: me apaixonei! Vi cinco cirurgias no mesmo dia e então descobri o que queria!
Enquanto se preparava para o vestibular pensou em mudar de curso? Nunca ocorreu alguma insegurança?
Passei em muitos momentos por insegurança. Na verdade, até o último momento, até sair seu nome no jornal, você não passou no vestibular. E isso é muito importante! A insegurança é algo natural, mas que deve ser canalizada como um motivo a mais para estudar e focar!
Após passar em Ouro Preto e pela posição na UFTM todo mundo começou a cantar a jogada: você já passou, está garantido! É um grande desafio você gabaritar algumas listas ou mini-simulados e sair com o pensamento de que você precisa continuar dando o máximo! Mas é exatamente isso que é importante fazer, pois: até o nome sair no jornal, ninguém entrou!
Quanto ao vestibular: possuia algum receio, pensou que não fosse ser possível ou sempre foi consciente de que tinha a capacidade necessária?
Sempre acreditei que seria possível, mas sempre quantifiquei a evolução, isso é importante! Tinha foco e quantificava em números o avanço e o sucesso nas provas e lista de exercício! Na realidade, cada lista de exercício, independentemente da matéria, sempre tinha na cabeça que queria acertar 90% dela no mínimo, independentemente de ela ser de humanas, exatas ou biológias e da quantidade de exercícios. Isso ajuda a colocar a barra sempre mais alto!
Como você se sentia emocionalmente conforme se aproximava as datas do vestibulares? O que lhe passava na cabeça?
Estava bem, louco para passar! Mas um dos segredos para isso foi preparação em termos acadêmicos e também em termos psicológicos. Durante todo o ano, fingia que a prova ia ser no próximo final de semana. Exemplo, pensava que a prova seria no próximo Domingo! Caramba, pense agora mesmo que a prova será neste próximo Domingo! Para um vestibulando e para mim, na época, isso dava arrepio, mas como acabava pensando isso toda semana, quando o domigo de verdade chegou, foi tranquilo... Estava mais concentrado em detonar...
Medicina é tudo o que você pensou que fosse?

Não, medicina é um curso que não exige tanto intelectualmente como supunha, mas exige em termos de experiências, paciência e horas de estudo. Ao meu ver, para ser médico, é mais importante “ter saco” para estudar do que ter cabeça ou raciocínio sofisticados, acredito que exigente mesmo, em termos intelectuais e de raciocínio, são os cursos de exatas, medicina não...
Agora, estando no curso, como é sua vida? Como é seu tempo? Como fica a diversão, sobra tempo? Caso queira fazer algumas observações, fique à vontade. Aguardo suas respostas e agradeço pela atenção. Ótima semana.
Ferdinando
Atualmente estou tendo a oportunidade de vivenciar um ano de intercâmbio de pesquisa em Boston, na universidade de Harvard, ficarei por aqui durante todo o ano de 2011 (ou até quando as bolsas, patrocínios, e minhas disponibilidades financeiras me mantiverem). Aqui a rotina é de pesquisa, estamos pesquisando em ratos a biodisponibilidade do zinco, e especificamente uma doença chamada Degeneração Macular Relacionada à Idade. A rotina é basicamente de laboratório e pesquisa, ou seja, envolve leitura de diversos artigos científicos, experimentos com ratos, aulas e conversas com os professores e pesquisadores.
Lá em São Paulo, a rotina é de estudo, aulas durante a manhã e durante a tarde. A exigência do curso é “aluno-dependente”, ou seja, caso você queira sair todos os dias você consegue, e caso você queira estudar todos os dias você também consegue. Depende mesmo de cada pessoa, de seus objetivos, prioridades e do quanto gosta de estudar.
Um dos itens interessantes da medicina, e que todo mundo descobre rapidamente, é que para o exercício da medicina em si, há muito mais do que estudo, há relacionamento, conversa, aprendizado com as pessoas e interesse pelo ser humano. Mas é justamente isso que faz da medicina um desafio!
Algo muito interessante é que depois que você passa pelo vestibular, você acha que o esforço para passar nos exames vestibulares foi natural, “nem foi tão grande assim”, muito provavelmente você se esquecerá da insegurança ou do medo, os quais serão substituídos por um sentimento de boas lembranças, por mais incrível que possa parecer...
Grande abraço e espero vocês no ano que vem na Universidade de São Paulo!
Lucas Nóbrega
Visite também:
www.uspharvard.com
Boston, MA, 13 de Fevereiro de 2011.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Vitor, Parabéns!


Vitor, parabéns por ter entrado na melhor faculdade de Direito do Brasil!

Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo


terça-feira, 14 de setembro de 2010

USP e as Oportunidades!


Um dos motivos que vale a pena estudar na USP é um tanto quanto simples: as oportunidades que lhe esperam! Sejam bem-vindos à USP!

Gostaria de convidá-lo a visitar a página:

Grande abraço,
Lucas Nóbrega

domingo, 22 de agosto de 2010

Inspiração!

"Everything you need is already inside"
Nike Ad


Pessoal,

O segundo semestre está aí! Continuar focado no treino é o grande desafio! Mas valerá a pena, haverá recompensas!

Grande abraço,
Lucas Nóbrega




quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

"Em meio a riscos diversos, superando todos
os percalços, trilhamos nosso caminho..."
Eneida


Motivação é tudo! E para passar no vestibular não é diferente! Seguem alguns bons vídeos.

Lucas Nóbrega


segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Primeira aula de Prática Médica

"Tudo é novo para quem é novo."

Minha mãe

Quando entramos em Medicina sentimos uma fascinação enorme por tudo, sendo que os exemplos que temos logo no começo do curso ficam fortemente gravados em nossa memória, afinal de contas, dedicamos muito esforço para entrar na USP, sendo que cada aula parece mágica.

Escrevi o texto a seguir quando estava no primeiro ano, após minha primeira aula de Prática Médica, uma das disciplinas do primeiro ano intitulada: "Introdução à medicina e suas especialidades".

Entrar no centro cirúrgico é magnífico, ainda mais quando é o da sua faculdade e o do maior hospital da América Latina!

O mais legal de tudo é ter a certeza de que todo esforço valeu a pena!

Grande abraço,

Lucas Nóbrega

Acadêmico Faculdade de Medicina USP


"Hoje tive minha primeira aula de prática médica! Foi no nono andar do ICHC, no centro cirúrgico, bloco 3, sala 29. Cheguei no vestiário, dei meu cartão do HC e peguei as roupas: foi a segunda vez que me vesti para uma cirurgia no HC e a primeira sem nenhuma orientação. Foi muito legal, um sentimento de independência muito bom, pois o que parece bastante simples para quem já está na rotina apresenta-se como um ritual complexo para quem é leigo.

A cirurgia foi uma retirada das glândulas paratireóides, seguida de reimplante de 30 fragmentos de 1mm. no antebraço do paciente. Acompanhei o Hugo, R3 que liderou a cirurgia, a Ana, R2 que atuou como assistente e o Júlio, R1 que instrumentou. Havia ainda a Cris, enfermeira, o Marcos, anestesista e o João, veterano do segundo ano que já cursou odontologia.

A retirada foi tranqüila, seguida do reimplante, ao qual assisti apenas parcialmente pois tinha de ir à tutoria, com o professor Mutarelli, que infelizmente estava ausente, devido ao Congresso brasileiro de neurologia.

O professor Marcus Taveres entrou duas vezes na sala cirúrgica para conferir procedimentos e dar orientações, como sempre, foi bastante atencioso com o pessoal.

Toda a equipe, principalmente a dos residentes, é muito paciente, e me expluicou os procedimentos de lavagens de mãos até as intervenções e equipamentos que iam utilizando. O destaque foi o Júlio, que me explicava os nomes dos instrumentos e a aplicação.

Ganhei o dia, logo de manhã! "


São Carlos, 28 de Dezembro de 2009.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Vergilius Neto

Estratégia de prova


Olá meus queridos futuros colegas de profissão,
estou mandando aqui a descrição da técnica que eu usava para fazer simulado tipo teste de 90 questões de duração de 5 horas (simulados da primeira fase da FUVEST). Sabe-se como é forte a competição entre os vestibulandos “de elite” que concorrem ao curso de medicina. Tendo isso em vista, fica bem claro que, além do preparo teórico, estratégias técnicas podem render aqueles pontinhos a mais que fazem toda a diferença. Claro que “cada um é cada um” e que, portanto, uma única estratégia pode ser válida para uma pessoa e não para outra. Apesar disso, resolvi mandar a técnica que eu usava, pois eu a desenvolvi ao longo da minha experiência de dois anos de cursinho, procurando ajustar à maneira como minha cabeça funcionava as inúmeras dicas diferentes que vários professores davam a respeito de como fazer os simulados. Essa técnica foi o que fez a diferença para mim (os pontinhos a mais que eu falei anteriormente), pois provas teste eram a minha especialidade e a minha aprovação na FUVEST deveu-se aos 83 pontos (de 89) que eu alcancei na primeira fase do vestibular (já que a minha segunda fase não me permitiu tanto destaque). O texto é longo, mas altamente recomendável para aqueles que se julgam com bom preparo teórico, mas sempre perdem alguns pontinhos nos simulados devido a “falhas técnicas”, como erros de bobeira, de falta de concentração, de falta de tempo, etc.

Vamos lá então:

Princípio básico: todas as 90 questões valem exatamente a mesma coisa, não tendo, portanto, vantagem nenhuma acertar uma questão difícil se, para isso, ser obrigado a errar várias fáceis.

Metodologia: mapear a prova, fazendo uma triagem inicial e resolvendo as questões seguindo o seguinte critério:
Mais rápidas ---> mais demoradas

NOTE A SUTILEZA: Mas rápido NÃO significa NECESSARIAMENTE, mais fácil. Agora, de fato, uma questão muito difícil é mais demorada de se fazer. Uma questão demorada, entretanto, pode ser fácil talvez.

Então, a maneira que eu fazia era assim:
primeira leitura (deve demorar cerca de 3 horas e meia), da questão 1 a 90 (nessa ordem):
leia a questão (todas elas, não pule antes de ler!!) e resolva-a se a resposta ou a solução dela vier imediatamente na sua cabeça. Mesmo que seja uma questão difícil, sofisticada, mas que o seu bom preparo te permita a resolução imediata.
Quais quer questões diferentes dessas, faça da seguinte maneira:
- questões em que você ficou em dúvida entre duas ou mais alternativas: faça um risco forte e visível nas alternativas já descartadas, para que você não perca tempo lendo-as novamente. Marque o número da questão com um circulo.
- questões de exatas que você sabia a resolução, fez as contas e chegou em uma resposta que não batia com nenhuma das 5 alternativas: NÃO refaça as contas mais de 2 vezes. deixe as contas anotadas no rascunho de maneira organizada, para que possam ser revisadas POSTERIORMENTE. Marque o numero dessas questões com um quadradinho
- questões de exatas que você começou a tentar fazer e viu que chegou em números muito absurdos (tipo 2394234x382393), ou com um enunciado tão complexo que você nem entendeu o que ela pede, mas acha que no fundo é capaz de fazer se entender e pensar com calma, ou ainda que você acha que manja a teoria, mas não está sacando a saída (tipo, traçar uma paralela, chamar tal lado de X, algo assim): pule, mas deixe marcado o numero da questão com uma "estrelinha".
- questões para as quais você não faz a menor idéia da resposta (serão raras para um “vestibulando-top” como você): pule e marque o numero delas com um triângulo.

Ao fim da primeira leitura, tendo-se passado cerca de 3 horas e meia (sempre de olho no relógio!), passe as respostas para o gabarito. Lembre-se, você está passando respostas que você tem certeza que acertou, que só errou por distração (supondo-se maior concentração possível, serão mínimos esses erros, na pratica você está literalmente garantindo a quantidade mínima de pontos que sua capacidade permite que você faça, ao passar as respostas dessa primeira leitura para o gabarito).

Levante, vá ao banheiro, faça xixi, lave o rosto, beba água na volta para a sala, coma alguma coisa (se quiser)...esse período de passar as questões para o gabarito e fazer a breve pausa te tomarão cerca de 30 minutos (descanso adequado para o seu cérebro). Isso significa que você começará a segunda leitura quando tiverem sido passados cerca de 4 horas de prova, sobrará uma ainda. Mas relaxa! a maioria das questões já foram feitas...devem ter sobrado umas 20 para fazer, que você já leu e já pensou a respeito. Uma hora é o suficiente.

Segunda leitura: resolução das questões marcadas com círculos, quadrados e estrelinhas.

Primeiro as marcadas com círculo (aquelas que você ficou na dúvida): leia atentamente as alternativas. Existem boas chances de você perceber o erro das alternativas que não são a certa e que você não tinha percebido antes, por desatenção (por exemplo: “Ta dizendo Dom Pedro I e não Dom Pedro II!!!!”). Se isso acontecer, marque de uma vez a resposta que você chegou. Se você tiver CERTEZA absoluta que as 4 alternativas que não são a que você quer marcar estão erradas, marque a não-eliminada sem medo, mesmo que você não tenha certeza absoluta do porquê aquela está certa (as vezes o que importa não é achar a certa, e sim eliminar as 4 erradas. O teste pode estar mal feito.). Agora, se a dúvida persistir, promova a questão para uma marca de triangulo, pule e siga
em frente.

Segundo
as marcadas com quadrado:
essas são aquelas que você manja a teoria, mas não chegou em nenhuma das respostas. quando isso acontecer, levante as mãos e agradeça a Deus, porquê se você tivesse chegado em uma resposta com alternativa você teria errado a questão. Reveja as contas PASSO A PASSO, sem pular sequer uma passagem. 90% de chance de você encontrar seu erro ali. Agora, se você tiver certeza absoluta que não errou nas contas, repense se a teoria que você usou está certa. Muito provavelmente essa questão você vai matar, porque isso acontece quando você manja a teoria e estava fazendo algum erro bobo quando tentou resolvê-la pela primeira vez. Caso isso não aconteça, a questão deve ser promovida para triangulo também, e siga
em frente.

Terceiro
as marcadas com estrelinha: aquelas que no fundo você sabe que sabe, mas ainda não viu a saída. Essas você (que ainda terá a essa altura do campeonato uns 40 minutos de prova, porque os 2 primeiros passos dessa segunda leitura são rápidos), você pensa com calma. Muitas delas você resolverá de imediato. É o famoso "putz!! é isso" que geralmente as pessoas pensam DEPOIS que entregaram a prova para o fiscal, já do lado de fora da sala porque não deixaram o cérebro amadurecer a idéia. Não é o que está acontecendo com você, já que você deu uma segunda chance pra o seu cérebro, com a “cuca mais fresca” e com umas 80 questões da prova já resolvidas. Pense com calma nelas, lembre-se que ainda há tempo. Desencane só quando faltarem uns 15 minutos pra o fim. As que não rolarem por qualquer motivo, promova-as também para triângulos.

OBS: nessa segunda leitura, faça-a com o cartão de respostas ao lado e marque nele as alternativas assim que você resolver cada questão, para evitar acidentes tipo "acabou o tempo e ainda não passei nenhuma das que faltava"

terceira leitura: resolver os triângulos. você ainda tem 15 minutos, umas 82, 83 questões resolvidas. Devem faltar, para um vestibulando bem preparado, umas 7 que foram promovidas a triângulos (não significa que você certamente acertou 83, porque existem os erros de bobagem, mas você já se garantiu na maioria delas).

Aqui vale uma observação: você pode dizer “Ah! Então esse cara está dizendo que eu só vou chutar “às cegas” umas 7 questões??” E eu digo “sim! Pense que quando você normalmente corrige seus simulados, se você é um concorrente com preparo acima do normal (o que é necessário se você alimenta esperanças de passar na pinheiros) você vê que grande parte das que você errou, não foi por falta de teoria, mas por outros motivos, já citados. Essas poucas que sobram no final são as que você não sabe mesmo. Por falta de teoria, capacidade de interpretação de texto, problema na redação da questão pelo enunciador, etc. São aquelas não permitem que todos 175 que passam gabaritem a FUVEST (mesmo que o preparo teórico de todos seja muito alto e muito similar). Esse método permite que você só erre ESTAS, e não outras que você erra por qualquer outro motivo. São aqueles 4, 5 ou até mais pontos a mais que fazem toda a diferença.


Leia com calma, você tem 5 minutos pra ler todas elas. Dê uma segunda chance a todas, veja se a resposta sai. Se você tiver sorte, uma ou outra delas talvez saia. Se não, o que eu fazia era eleger uma delas para brigar até o fim, e desencanava das outras.

Quarta "leitura", o levantamento estatístico:
veja quantas letras você marcou de cada alternativa, e chute as poucas que sobram na letra que foi menos marcada. Se as alternativas foram escolhidas de maneira aleatória, probabilisticamente falando, é certo que existem aproximadamente o mesmo número de questões com gabarito “a”, “b”, “c”, “d” e “e”. Claro que, se a letra eleita for “b” e uma questão que você não sabe você já eliminou a letra “b”, você não vai marcar esta, marque outra (talvez a segunda letra menos escolhida por você ao longo da prova). Isso amplia suas chances de acertar “no chute”.

Quinta (e última) leitura (você tem só uns 5 minutos antes do fiscal tomar sua prova):
fique “quebrando a cuca” naquela que você elegeu como sua favorita (obviamente, a que você achou a mais factível). Existe uma chance considerável de você não chegar a uma conclusão, mas não tem nada a perder, só a ganhar (1 ponto extra).Talvez você ache a solução, e garanta mais um pontinho. Senão, você chuta de uma vez a alternativa eleita a menos escolhida e entrega a prova com a consciência limpa de que você usou seu tempo da melhor maneira possível.



Observações finais:
- os símbolos escolhidos foram arbitrários, escolha os que você quiser. Mas não os confunda. Simbolize de diferente maneira os diferentes tipos de questões, para você não perder tempo tendo que re-ler cada uma antes de fazer as leituras posteriores à primeira.
- NÃO pense NUNCA na nota que você vai tirar, policie seu cérebro, isso é questão de treino. Concentração total no AGORA, e não no depois. Pensar no depois tira a concentração, é fatal. Se você está indo bem e pensa “oba! Vou tirar mais de 80!” você começa a ficar empolgado e erra questões por distração. Se as primeiras questões foram difíceis e você pulou você pensa “droga, esse simulado vai me deixar triste ainda hoje” e você perde a confiança necessária para resolver questões mais sofisticadas.
- Recomendo fazer da 1 a 90 na primeira leitura porque assim você sempre sabe exatamente a sua velocidade na prova, é mais fácil de controlar. Claro, não precisa fazer exatamente “3 minutos” por questão, tem questão que você demora mais, tem questão que você demora menos. Mas assim você tem uma noção aproximada do quanto está demorando. Por exemplo: "passaram 2 horas e 15 de prova, eu estou na 40 ainda. Mas as primeiras matérias foram exatas, demoram mais" depois "passaram 3 horas, e eu estou na 75, perfeito..estou acelerando porque humanas é mais rápido".
- leve relógio digital com cronômetro, para você saber exatamente o tempo que passou, e não ter que ficar perdendo tempo fazendo conta do tipo "humm..agora são 4 e 10..a prova começou as 2 e 7..passaram...."
- esse método não é receita mágica, só da certo pra pessoas que, como você, estão preparadas. Quem não está acha tudo difícil sempre.
- esse método da para ser feito com perfeição a partir do treino. Recomendo que você faça todos os simulados da mesma forma.
- por fim, e mais importante dessa observação: NÃO TENHA REMORSO DE PULAR!!!! As questões da primeira lida a serem resolvidas são aquelas que você tem CERTEZA de que você matou, então, se está com 1% de duvida PULE!!! promova-a pra circulo, quadrado, triangulo ou estrela.


Ultimo comentário:
Muito boa sorte a todos vocês. Alguns dizem que “sorte é para quem não está preparado”. Pois eu digo que sorte é justamente quando alguém preparado encontra a oportunidade de sucesso. O preparo está sendo ao longo do ano e a oportunidade virá no final. Desejo sim um ótimo preparo e uma ótima prova. Portanto, mais uma vez, MUITO BOA SORTE! Aguardo vocês como calouros ano que vem.

Vergilius Neto, turma 96 (ingresso em 2008) da FMUSP.

E-mail: vergiliusneto@hotmail.com

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Nono texto

Organizando o estudo!


“Aja duas vezes, antes de pensar”

Chico Buarque


“Como começar o treino”? Essa é uma pergunta freqüente e por isso o “Quarto texto”(Abril), consultável através do histórico deste blog, aborda esse tema.

Mas na prática, como já dizia meu querido avô Octávio Nóbrega: “a maneira mais fácil de resolver as coisas é começando!”.

Então aja! Pegue uma folha de papel, um lápis, e comece seu planejamento de estudo.

Sugiro que faça seis colunas na folha de sulfite, coloque em cada uma o dia da semana, começando na Segunda-feira e terminando no Sábado, escrevendo o nome das matérias que tem na escola ou cursinho em cada dia correspondente.

Estará disposto assim um esquema da “semana mínima” do vestibulando, composto apenas pelas matérias ministradas em aula.

O que diferenciará os vestibulandos será os componentes que complementarão essa tabela, ou seja, o que fará além das diversas aulas e exercícios abordados em aula.

Você verá que há vários espaços em branco durante os períodos nos quais não tem aula, portanto, comece a completá-los tendo em vista as matérias que deverá estudar (“treinar”) nesses horários.

Complete todos os espaços utilizando bom senso: dando ênfase para as matérias que são mais fundamentais na carreira que pretende prestar.

Mas não se esqueça de que todas as matérias são importantes, e desprezar algumas em detrimento de outras é uma alternativa reservada apenas àqueles que prestam cursos menos concorridos.

Lembre-se de separar alguns momentos de descanso durante o dia. No entanto, tenha cuidado para não interpretar esses “alguns momentos” como duas ou três horas diárias de academia ou televisão.

Enquanto estava no cursinho, separei um dos dias da semana para esquecer o estudo e aproveitar para viver, isso mesmo, vestibulando também tem alguns momentos em que tem a chance de aproveitar a vida!

Particularmente escolhi o Domingo, e esse era o dia que separei para andar de bike, ficar com a família, jogar baralho com meu avô, e sair com a turma.

O resto da semana era sentado na cadeira, lápis e apostila na mão, resolvendo exercícios.

É um saco fazer e refazer as provas vestibulares? Sim, é um saco! Mas vale a pena! Não há nada mais legal do que poder escolher onde você quer estudar!

Vamos voltar à organização: tendo esse planejamento de sua semana em mãos, fica mais fácil manter a disciplina e, para isso, cole-o em um local bem visível, como a porta do seu armário e cumpra-o!

Eis a parte mais difícil, levar seu planejamento a sério! Mas se esforce para isso ao menos nas primeiras semanas, até que o seu ritmo de estudo já esteja forte e você não mais necessite dessa tabela para o disciplinar.

Caso tenha se proposto a estudar três, quatro ou mais horas após as aulas, corra atrás dessa meta até que esteja condicionado. Entretanto, lembre-se de que mais do que "horas de estudo", o que deve ser objetivado é qualidade de estudo.

Vejo essa programação de sua semana como uma boa forma de começo para quem quer entrar num ritmo de preparação diferenciado.

É como se fosse o andador que muitos bebês utilizam para aprender a andar: nem todos precisam dele para que comecem a andar, mas para aqueles que o utilizam, as coisas ficam mais fáceis e, quando não existe mais a necessidade de sua existência, nem ao menos se lembram que ele fez parte do processo de aprendizagem.

Utilize esse andador e, no final, você provavelmente verá que estará preparado para suportar uma verdadeira maratona!

Lucas Nóbrega

E-mail: realizandoumsonhomedicinausp@gmail.com


Autor em férias

terça-feira, 9 de junho de 2009

Oitavo texto


Escolher uma faculdade


O Homem é do tamanho de seu sonho”

Fernando Pessoa



Sou de São Carlos, cidade natal de duas universidades: Universidade Federal de São Carlos e a nossa querida Universidade de São Paulo.

Desde sempre, para mim, fazer faculdade sempre foi sinônimo de escolher entre a USP ou a UFSCar.

Escolhi USP devido a estar entre as duzentas melhores faculdades do mundo segundo o The Times Higher Education Supplement e a sua incomparável infra-estrutura educacional: é a maior universidade do país.

Para mim, estudar na USP sempre foi um sonho óbvio, mas entendo que para muitas pessoas a escolha não seja tão óbvia assim.

O Brasil tem ótimas universidades e para quem não é tão tendencioso quanto eu para escolher a Universidade de São Paulo, a indecisão é bastante grande.

Na realidade, como o vestibular para as boas faculdades é um grande desafio a ser ultrapassado, “escolher uma faculdade” diz respeito principalmente a um sonho. E não se esqueça, “o Homem é do tamanho de seu sonho”!

Escolher uma faculdade representa um sonho pois mesmo que ele seja o de cursar uma universidade específica, você acabará prestando também vestibulares para outras instituições para aumentar o cenário de possibilidades de entrar em um curso superior.

Você terá a oportunidade de realmente “escolher” uma faculdade somente quando saírem as listas de chamada, com seu nome estampado nos jornais, comprovando que passou em mais de uma instituição.

Mas se somente após a listagem para matrícula há a possibilidade de escolha, por que é importante ter em mente a universidade pretendida?

A resposta é bastante simples: para se preparar para os exames vestibulares.

Saber em qual prova quer mais passar ajuda muito na hora de estudar, pois o tempo é limitado, e dar prioridade para o sonho é uma postura lógica.

Com relação às provas: os exames são bastante diferentes entre as instituições, ainda que a matéria seja a mesma, o que torna a preparação mais fácil caso haja escolha por uma determinada instituição.

O conselho que fica é buscar informação sobre as instituições através da internet e de visitas monitoradas, e a partir daí tomar a decisão sobre qual delas mais se encaixa em seus objetivos.

Para a USP em particular, as visitas são gratuitas e tem calendário no site “Universidade e as profissões” (http://www.usp.br/prc/uniprof/visitas2009/index.php). Foi através de uma dessas visitas que me apaixonei pela Pinheiros!

Uma vez tendo em mente a faculdade, o segundo passo é começar o treino, utilizando as provas anteriores daquela instituição como grande guia de estudos.

Não que você vá realizar exercícios apenas do vestibular que você mais quer prestar, mas o ideal é ter algum direcionamento para ter por onde começar e em que material se basear.

Espero que a sua escolha seja pela USP e, nesse caso, indico o site da FUVEST, que é muito organizado e disponibiliza diversas provas anteriores (http://www.fuvest.br/)

Rumo a universidade!

Lucas Nóbrega 

Sugestões: realizandoumsonhomedicinausp@gmail.com

domingo, 3 de maio de 2009

Sétimo texto

O outro lado.

 

“Quando a noite for tão escura a ponto de você não conseguir vislumbrar suas próprias mãos, pode ter certeza que o amanhecer está muito próximo.”

Provérbio chinês

 

Após entrar na faculdade algo bastante estranho acontece: você esquece toda a dedicação que teve para passar no vestibular.

Não que você conscientemente não se lembre de seu esforço anterior aos exames, mas tudo parece ter tido um rumo bastante natural e ameno, quando, pelo contrário, o trajeto foi realizado entre tornados e tempestades.

Uma fábula, a qual transcrevo a seguir, escrita por um grande amigo da faculdade, o César, ilustra essa transição. Espero que gostem!

 Lucas Nóbrega

Sugestões: realizandoumsonhomedicinausp@gmail.com

 

Injeção de ânimo.

por Cesar Mietti

 

            Certa noite, um jovem andarilho, após horas de caminhada avista uma velha cabana. Seu cansaço o fez parar e pedir ajuda, já que estava com muita sede e fraqueza muscular. Bateu à porta e, após uns instantes, um velho homem abre e assiste o jovem, dando-lhe água e comida para que recuperasse suas forças. Após perceber que o homem já havia se recomposto, perguntou-lhe:

            - Aonde vai, meu jovem, com tanta pressa?

            - Tenho que chegar ao outro lado daquele rio – respondeu o jovem.

            - O que procura lá?

            - Não sei ao certo, mas sei que devo atravessar, creio que do outro lado muitas coisas que não entendo se encaixarão.

            - Entendo, já vivi momentos como esse – indagou o velho.

            - O que vê do outro lado?

            - Vejo um mundo novo, onde me sentirei livre para desenvolver minhas idéias, onde a derrota não me alcançará tão fácil e a inspiração me virá sempre que precisar.

            - E aqui não o vê? – perguntou o velho

            - Não, meu senhor, aqui estou com as mãos atadas, perturbado pelos fantasmas de meus medos e aflições, aqui calo meu choro todos os dias com a esperança de um milagre, meu nervosismo não me permite pensar, é como se o mundo estivesse acabando. E essa escuridão não acaba, onde está a luz do dia?

            - Calma, meu jovem, já senti isso também. Com a sabedoria que adquiri com meus anos de vida, aprendi como passar por essa fase. Quando tinha sua idade, me vi impaciente com a lentidão e a incerteza do tempo, mas conheci várias pessoas que também passaram por isso ao meu lado e, juntos, enfrentamos esses fantasmas e vencemos. Com a amizade, o companheirismo e o desejo de ajudar as pessoas, o desespero foi aos poucos dando lugar à compaixão e a gratidão, armas fundamentais nessa guerra que lutei. A diferença entre nós dois é que você procura o outro lado do rio e eu procurei o alto da montanha. Lá o Sol nascia primeiro e, junto com ele, minha felicidade. Consegui.

            - O senhor acha que consigo também? – perguntou o jovem com seus olhos tomados por lágrimas.

            - Sim. Vejo em seus olhos o jovem que fui, a mesma feição, a mesma coragem. Você será vitorioso, meu jovem, e certamente observará que você não está sozinho na travessia, há outros corajosos rumo ao Mundo Novo. Ajude-os, console-os, ouça-os, só assim você verá o tempo acelerar e se tornar mais certo e quando parar para descansar, já estará do outro lado. Isso é tudo o que eu posso lhe dizer.

            E assim, o jovem se despediu do velho, que lhe deu uma cesta de comida e um lampião, para que se guiasse na escuridão. Após alguns dias de viajem, chegou à margem do rio, onde se iniciaria a travessia. Lá havia várias outras pessoas. O curioso é que todas elas seguravam uma cesta de comida e um lampião...

            

‘Amigos, estou com vocês nessa luta, sei do medo que sentimos por dentro e do quanto a possibilidade de derrota nos aflige. Digo para vocês, isso terá um fim. A luz chegará e, quando percebermos, já estaremos do outro lado. Vocês que perderam a inspiração de continuar, lembrem-se do aluno que começou há, sei lá, uns 2, 3 ou mais anos a travar essa guerra. Será que aquele ser, cheio de esperança, sumiu de fato? Não, ele ainda vive, mas assolado por fantasmas, que se chamam cansaço, desespero, solidão, tristeza... Mas há como derrotá-los, basta lembrar que lá fora há um mundo pelo qual vale a pena ser batalhado, onde nos vemos mais velhos, felizes, realizados, médicos, enfermeiras, biólogos, advogados, enfim, vemos nossa idealização, podemos senti-la pulsando em nossas veias. A cesta de comida carrega nossos sonhos, nossa chave para o Mundo Novo e a chama do lampião irradia nossa esperança, nosso altruísmo, nossa coragem e nossa força de vontade. Não tenham medo de dizer a si mesmos que vocês irão passar, ninguém ou nenhuma força oculta irá castigá-los.

 Espero, sinceramente, que lhes tenha ajudado com o que disse e, caso necessitem, aqui estarei para conversar... Vejo vocês do outro lado. FORÇA, GENTE!!!’

 

                            Cesar Augusto de Almeida Mietti”

 


 

Realizando um sonho medicina USP

“Realizando um sonho: MEDICINA USP” é um Blog escrito por ex-vestibulandos que entraram nos mais concorridos vestibulares de medicina do país e escolheram a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Os textos são voluntariamente escritos objetivando motivá-lo a entrar na maior universidade do Brasil: nossa querida Universidade de São Paulo."

Lucas Nóbrega

E-mail: realizandoumsonhomedicinausp@gmail.com